Deu vontade de conversar sobre
ansiedade.
Acho
que sempre tive ansiedade social. Só adulta, trabalhando com dois psicólogos de
formação (mas que não atuavam na área) e sofrendo grande estresse e pressão
psicológica no meu então novo curso universitário (Física) é que ouvi pela
primeira (e segunda) vez: Você tem ansiedade social.
Ambos
me falaram a mesma coisa em situações diferentes e cheguei a pensar que aquilo
tinha sido desenvolvido recentemente, devido às pressões do curso. Então,
pensando um pouco achei que desenvolveu-se devido a um assalto alguns anos
antes, que foi quando a ansiedade realmente passou a atrapalhar a minha vida
não só psicologicamente. Após conviver quase dois anos SABENDO que tenho isso e
pensando bastante a respeito, cheguei à conclusão que provavelmente sempre
tive.
Lembro-me
de bem pequena já ter pavor a festas de aniversário, filmagens, fotografias,
escola, etc. Sou famosa na família por me esconder em baixo da mesa em todo
parabéns de todas as festinhas de aniversário possíveis até o dia que me
tranquei no quarto durante toda uma festa porque tinha palhaço e principalmente
câmera man filmando tudo! Nesse dia foi jurado não fazerem mais festas de
aniversário pra mim, pois eu era muito “malcriada”.
Não
acho que era bem malcriação. Acho que era ansiedade social disfarçada de
malcriação. Não sou nenhuma psicóloga nem entendo nada do assunto, mas gosto
muito de pensar sobre isso. Se lembrar bem, tudo que fiz nessas tais festas não
estava relacionado com querer ser “ruim” e sim ao pavor de todas aquelas
pessoas olhando para mim e “esperando algo”, uma atitude que fosse. A cobrança.
O
comportamento se repetia muito na escola. Cheguei a querer mudar de horário
porque minha única coleguinha na época havia mudado e eu sabia que ninguém mais
da turma gostava de mim por eu sempre querer ficar e lanchar sozinha (apenas
com essa coleguinha citada). A escola não deixou, julgou que não havia mais
vagas de manhã e eu teria que continuar à tarde. Ao chegar na escola (a tarde),
o primeiro comentário: “Aff, mais um ano na mesma turma que você”.
Esse
comentário me marcou muito, até hoje me lembro dessa pessoa, da expressão de
nojo na cara dela. Infelizmente, quando passei para a manhã, na quinta série,
foi também quando todo mundo dessa mesma turma passou para a amanhã. No
primeiro dia de aula me senti mal de tão ansiosa, realmente passei mal e
vomitei na frente da turma inteira (que pesadelo, mas hoje em dia acho
engraçado). Lembro de levantar a mão e dizer: “acho que vou vomitar” para a
professora, seguido do ato imediatamente e minha colega ao lado: “vomitou!” Fui
para a coordenação onde me falaram que só podia ser devido à ansiedade de estar
num horário novo e tudo mais.
Superado
uma parte disso eu consegui me aproximar de pessoas que estudaram comigo nessa
mesma escola durante praticamente toda a minha vida escolar e tenho muita sorte
de ter tido essas amigas, algumas até hoje. Mas tive muita dificuldade de me
aproximar e manter amizades durante a época da escola e hoje em dia já não
sinto muita vontade de me esforçar para isso. Quem está na minha vida até hoje
provavelmente continuará e se vier gente nova, que seja somente quem valha à
pena.


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