quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Escola & Ansiedade



           Deu vontade de conversar sobre ansiedade.
          Acho que sempre tive ansiedade social. Só adulta, trabalhando com dois psicólogos de formação (mas que não atuavam na área) e sofrendo grande estresse e pressão psicológica no meu então novo curso universitário (Física) é que ouvi pela primeira (e segunda) vez: Você tem ansiedade social.
               Ambos me falaram a mesma coisa em situações diferentes e cheguei a pensar que aquilo tinha sido desenvolvido recentemente, devido às pressões do curso. Então, pensando um pouco achei que desenvolveu-se devido a um assalto alguns anos antes, que foi quando a ansiedade realmente passou a atrapalhar a minha vida não só psicologicamente. Após conviver quase dois anos SABENDO que tenho isso e pensando bastante a respeito, cheguei à conclusão que provavelmente sempre tive.
               Lembro-me de bem pequena já ter pavor a festas de aniversário, filmagens, fotografias, escola, etc. Sou famosa na família por me esconder em baixo da mesa em todo parabéns de todas as festinhas de aniversário possíveis até o dia que me tranquei no quarto durante toda uma festa porque tinha palhaço e principalmente câmera man filmando tudo! Nesse dia foi jurado não fazerem mais festas de aniversário pra mim, pois eu era muito “malcriada”.
               Não acho que era bem malcriação. Acho que era ansiedade social disfarçada de malcriação. Não sou nenhuma psicóloga nem entendo nada do assunto, mas gosto muito de pensar sobre isso. Se lembrar bem, tudo que fiz nessas tais festas não estava relacionado com querer ser “ruim” e sim ao pavor de todas aquelas pessoas olhando para mim e “esperando algo”, uma atitude que fosse. A cobrança.
               O comportamento se repetia muito na escola. Cheguei a querer mudar de horário porque minha única coleguinha na época havia mudado e eu sabia que ninguém mais da turma gostava de mim por eu sempre querer ficar e lanchar sozinha (apenas com essa coleguinha citada). A escola não deixou, julgou que não havia mais vagas de manhã e eu teria que continuar à tarde. Ao chegar na escola (a tarde), o primeiro comentário: “Aff, mais um ano na mesma turma que você”.
               Esse comentário me marcou muito, até hoje me lembro dessa pessoa, da expressão de nojo na cara dela. Infelizmente, quando passei para a manhã, na quinta série, foi também quando todo mundo dessa mesma turma passou para a amanhã. No primeiro dia de aula me senti mal de tão ansiosa, realmente passei mal e vomitei na frente da turma inteira (que pesadelo, mas hoje em dia acho engraçado). Lembro de levantar a mão e dizer: “acho que vou vomitar” para a professora, seguido do ato imediatamente e minha colega ao lado: “vomitou!” Fui para a coordenação onde me falaram que só podia ser devido à ansiedade de estar num horário novo e tudo mais.
               Superado uma parte disso eu consegui me aproximar de pessoas que estudaram comigo nessa mesma escola durante praticamente toda a minha vida escolar e tenho muita sorte de ter tido essas amigas, algumas até hoje. Mas tive muita dificuldade de me aproximar e manter amizades durante a época da escola e hoje em dia já não sinto muita vontade de me esforçar para isso. Quem está na minha vida até hoje provavelmente continuará e se vier gente nova, que seja somente quem valha à pena.
                                

domingo, 11 de dezembro de 2016

Sobrecarregada

                       

                Quando eu era criança e depois adolescente, todas as minhas guerras eram muito barulhentas. Foi assim que eu cresci, foi assim que eu aprendi. Eu gritava, esperneava, (mais velha) xingava. Fazia questão de magoar o máximo quem havia me magoado. Fazia questão de mostrar o máximo do que eu estava sentindo. Até que eu cresci.
                Percebi que tudo isso pouco importa. Tenho os pensamentos bem claros na minha cabeça quando estou chateada com alguma coisa. Tenho todos os argumentos elaborados e sei quando tenho razão ou não. Sei tudo o que sinto e penso bastante sobre tudo. Sobre o que queria falar, sobre o que importaria ser falado por mim ou por outra pessoa. Mas nada mais sai. Entendi que para falar sozinha é melhor não abrir a minha boca.
                Agora, todas as minhas guerras são silenciosas. Todas as minhas guerras são bem solitárias.


                                               Até Breve,

                                                               Steh.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Sobre o tempo

                Andei muito pensativa nessa última semana. Uma série de coisas e acontecimentos me deram essa vontade de escrever. Eu não sou muito boa com as palavras então talvez essa seja mais uma tentativa frustrada (sim, não é a primeira vez).
                Ontem vi um vídeo da Zoe Sugg falando sobre como estar tão próxima de ter 27 anos a deixou pensando sobre como ela está realmente envelhecendo e como passou tão rápido, onde foi parar o tempo??? ...e fiquei impressionada como aquilo era exatamente o que eu passei a semana inteira pensando. Com o cheguei até aqui? Onde foi parar o tempo? Como virei adulta e mal percebi?
                Eu definitivamente não pareço ter a idade que vou me tornar na próxima semana, ouço isso diariamente, principalmente por estar na metade de uma faculdade de Física onde todo mundo tem entre 17 e 20 anos pois sabiam que curso fazer assim que terminaram a escola – diferente de mim.
                Eu também não me sinto e aparentemente não ajo de acordo com a idade que terei em breve. Não me sinto porque tenho uma rotina muito diferente da maioria das pessoas da minha idade (trabalho, carreira, vidas conformadas, a vida de vocês já acabou? Todos os objetivos já foram alcançados? A minha parece estar só começando), e não ajo pois não estou cuidando de um lar com filhos (quer dizer, eu tenho um lar e eu tenho 2 gatos, mas não se mede igual os tipos de responsabilidades).
                Ou será que eu sou exatamente igual a todas as pessoas da minha idade? Bem, pelo menos uma dela estava pensando a mesma coisa que eu em uma época exatamente igual, então quais as chances?
                Será que nessa idade todos pensam isso? Estou mais perto dos 30 do que dos 20, pareço mais com meus pais do que com os adolescentes... Ou será que cada um tem esse insight em uma época ou idade diferente da vida?
                Esse post não responde nada, é só um monte de questionamentos. Mas eu estava afim de escrever e não custa nada tentar.

                                               Até breve.

                                                               Steh.